CULTURA QUE DANÇA

Maria Duschenes

(1922 – 2014)

Bailarina, coreógrafa e educadora, Maria Ranschburg nasceu em Budapeste, na Hungria.  Em sua adolescência estudou rítmica e bale clássico, quando teve contato com o método Dalcroze Eurhythmics, criado pelo músico suíço Emile Jacques Dalcroze (1865 – 1950), fundamentado nos ritmos corporais relacionados com o pensamento e o movimento corporal. Porém, a escola onde estudava foi fechada devido aos bombardeios da 2ª Guerra Mundial e Maria mudou-se para o Brasil em 1940, casando-se, dois anos depois, com o arquiteto alemão Herbert Duschenes (1914-2003).

Em 1943, agora chamada Maria Duschenes então com 22 anos, contrai poliomielite o que a paralisa quase totalmente. Segundo os médicos, apenas seus órgãos respiratórios realizam movimentos. No entanto, graças aos ensinamentos sobre consciência corporal adquiridos em Dartington Hall, superou as piores sequelas da doença e nunca deixou de atuar na área da dança, tampouco, de estudar.

Estudou com a mestra Lisa Ullmann (1907 -1985), parceira de Laban e com Doris Humphrey (1895 – 1958), com Martha Graham (1894 -1991), José Limon (1908 – 1972) e Merce Cunningham (1919 – 2009), entre outros.

Participa como professora, em São Paulo, de cursos e palestras em faculdades, congressos e apresentações anuais de dança com estudantes e profissionais, além de fazer parte de projetos educacionais junto a instituições públicas e particulares. Em 1967, prepara um programa de curso de dança a ser implantado na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP). O curso não é realizado, mas ela o ministra em 1968, em seu estúdio, para professores, dançarinos e atores.

Maria Duschenes foi a responsável por trazer ao Brasil a Teoria do Movimento de Laban e o método Dalcroze Eurhythmics. Como educadora, valorizava o repertório de movimento de cada aluno, num ambiente de pesquisa propício à criatividade para novas buscas. Introduziu a dança educativa nas bibliotecas públicas infantojuvenis e em outros espaços, através do projeto Dança/Arte do Movimento, para crianças e funcionários públicos, encampado por dez anos (1984 – 1994) pela Secretaria Municipal de Cultura (SMC) de São Paulo. Duschenes ocupou com sua dança lugares inusitados, como igrejas, praças, estacionamento, parques e outros. Realizou danças corais com grandes grupos de crianças e adultos com a participação dos grupos de professores formados por ela, culminando em eventos coletivos harmônicos e de uma beleza singular.

“A dança em si, isoladamente, não é suficiente como fator de integração entre corpo e mente, e recuperação da identidade, pois a linguagem não verbal constitui só uma parte de nossas linguagens. Porém ela serve de ponte, integrando os movimentos do corpo e sua linguagem às outras linguagens verbais, escritas, visuais etc.”

Seu legado para a dança e para os estudos do movimento é imenso. Duschenes partilhava o conceito de que a dança não deveria ser propriamente um trabalho em busca de perfeição, mas sim uma interrogação do espaço, de sua estrutura e suas possibilidades. Relutava, assim, em produzir uma formalização marcada dos gestos, mais interessada nas diferenças e identidades que podem surgir de cada um.