Os 10 mandamentos do Haicai

A técnica na construção dos poemas preza a simplicidade

Todas as quartas-feiras, no Aqui Ali Unidade Centro – Palacete Tereza, o grupo do projeto Dança Haicai se reúne. Abrimos espaço, neste artigo, para a transcrição das técnicas para a produção de poemas Haicai.

Haicai é um poema com origem no haiku – origem japonesa.  O haicai tradicional diretamente vindo da fonte japonesa possui determinadas características, segundo Hidekazu Masuda Goga, o Mestre Goga – um de seus introdutores e divulgadores da arte.

É um poema conciso em uma oração com sentido completo, formado por aproximadamente 17 sílabas métricas ou poéticas (contadas até a última sílaba tônica) distribuídas em três versos de 5-7-5 sílabas, sem rima nem título. Com uma referência à natureza, mediante a utilização de um “termo de estação do ano” (ou kigo, em japonês).

 A referência à estação do ano, mediante o uso do kigo, serve para situar a época do ano em que o poema foi composto pois, segundo Mestre Goga, “o kigo carrega o sentido poético e abrange todo o ambiente em que surgiu o poema. Por exemplo, o ipê floresce na primavera e os haicaístas que compõem o poema consideram o ipê como um dos kigo de primavera (…) O kigo é a chave do haicai. É a chave para se decifrar o segredo de sua brevidade”.

 

Os 10 mandamentos do Haicai, segundo Mestre Goga

I – O Haicai é poema conciso, formado de 17 sílabas, ou melhor, sons, distribuídas em três versos (5-7-5), sem rima nem título e com o termo de estação do ano (kigô).

II – O kigô é a palavra que representa uma das quatro estações (primavera, verão, outono ou inverno). Por exemplo: IPÊ (flor de primavera), CALOR (fenômeno ambiental de verão), LIBÉLULA (inseto de outono) e FESTA JUNINA (evento de inverno).

III – Cada estação do ano tem o próprio caráter, do ponto de vista da sensibilidade do poeta. Por exemplo: Primavera – alegria, Verão – vivacidade, Outono – melancolia e Inverno – tranquilidade.

IV – O haicai é um poema que expressa fielmente a sensibilidade do autor. Por isso:

respeita a simplicidade;

evita o “enfeite” de “termos poéticos”;

capta um instante em seu núcleo de eternidade, ou melhor, um momento de transitoriedade;

evita o raciocínio.

V – A métrica ideal do haicai é a seguinte: 5 sílabas no primeiro verso, 7 no segundo e 5 no terceiro; mas não há exigência rigorosa, obedecida a regra de não ultrapassar 17 sílabas ao todo, e também não muito menos que isso. E a contagem das sílabas termina sempre na sílaba tônica da última palavra de cada verso.

VI – O haicai é poemeto popular; por isso usa-se palavras quotidianas e de fácil compreensão.

VII – O dono do haicai é o próprio autor; por isso, deve-se evitar imitação de qualquer forma, procurando sempre a verdade do espírito haicaísta, que exige consciência e realidade.

VIII – O haicaísta atento capta a instantaneidade, como apertar o botão de uma câmera.

IX – O haicai é considerado como uma espécie de diálogo entre autor e apreciador; por isso, não se deve explicar tudo por tudo. A emoção ou a sensação sentida pelo autor deve apenas ser sugerida, a fim de permitir ao leitor o re-acontecer dessa emoção, para que ele possa concluir, à sua maneira, o poema assim apresentado. Em outras palavras, o haicai não deve ser um poema discursivo e acabado.

X – O haicai é um produto de imaginação emanada da sensibilidade do haicaísta; por isso, deve-se evitar expressões de causalidade, sentimentalismo vazio ou pieguice

Acompanhe a produção do Projeto Dança Haicai todas as quartas, em publicações em nossas redes sociais.

Fonte: https://www.kakinet.com/caqui/dezmand.shtml