Perfil – Luciana Bortoletto

Criadora-intérprete de dança, coreógrafa, diretora do …Avoa! Núcleo Artístico, poetisa… – um perfil da artista que vive toda a pluralidade do SER.

Luciana Iniciou seus estudos e pesquisa corporal em metodologias somáticas na década de 90. Há 20 anos atua profissionalmente como artista de dança, pesquisadora e educadora do movimento.

Ela conta que sua história com a dança começou ainda na infância, brincando na rua ou em casa. “Essa relação do corpo com a casa, subir em muro, em árvore, brincar descalça na terra, atuam na questão sensorial de forma bastante importante, sinestésica. Meus pais sempre gostaram de ouvir músicas e isso foi marcante. Eu dançava aquilo que eles ouviam. Dançava no meu quintal, no meu jardim. E desde pequena eu tinha um encanto, um sonho com a figura da bailarina.”

Para conseguir realizar seu sonho, Luciana começou a estudar de forma autodidata. “Na adolescência, quando comecei a trabalhar, eu lia muito, estudava, ia na biblioteca Mario de Andrade, no centro de São Paulo. Procurava livros sobre dança, corpo e movimento. São livros que hoje eu entendo, mas, na época era tudo muito intuitivo. Ali aconteceram meus primeiros contatos com a educação somática. Comecei a frequentar SESC e estudar dança do ventre, ballet, até que conheci o Estúdio Nova Dança, onde aconteceu de fato toda a minha formação.”

 

O Estúdio Nova Dança, localizado no Centro de São Paulo, foi um polo de pesquisa, ensino e criação em Dança Contemporânea, Teatro, Linguagem do Palhaço e Interpretação. Neste ambiente, Luciana teve contato com atores, bailarinos. “Foi uma universidade, fiquei lá quase 9 anos acompanhando processos de criação de companhias, observando ensaios de grupos de dança e de teatro, estudando, fazendo aulas de educação somática e dança, improvisação, entendendo sobre administração de um espaço e produção de espetáculos.”

Aprendeu também a trabalhar com fotografia e corpo cênico: “Acompanhei apresentações, festivais, vendo de perto ensaios de artistas que eu admirava, observando como era todo esse processo da cena, do aquecimento, da atenção com o próprio corpo. O corpo, a dança, a fotografia, me despertou essa qualidade do olhar compositivo, a poesia Haicai – que me  conectou com a rua e com esse universo da possibilidade de síntese… fui desenvolvendo um caminho bastante peculiar neste sentido, como artista, por ter inquietações em relação a como eu poderia me desenvolver, me comunicar como artista da cena e isso foi gerando uma série de experimentações, inclusive pedagógicas – eu levava isso para oficinas, cursos, aulas regulares, experimentava com turmas as coisas que me interessavam artisticamente.”

Luciana compõem o distinto grupo de pessoas que nunca se acomoda em uma atividade. Aprender e estar sempre em movimento, seja ensinando, praticando ou criando estão tão intrinsicamente relacionados ao seu Ser, quanto o respirar. “Dancei em alguns lugares que foram bem importantes porque eram espaços fora do palco e assim me interessei pela possibilidade de me aprofundar cada vez mais na improvisação coreográfica até formar o grupo …Avoa! Núcleo Artístico, onde eu exercito a função tanto de coreografa, de diretora, e criadora e intérprete – continuo dançando, trazendo todas essas experiências para dentro do meu trabalho.”

Luciana acaba de lançar, no Aqui Ali Dança e Cultura, o curso de Introdução à Dança. “Toda pessoa pode dançar a partir do momento em que ela se abre para a experiência de dançar. Todo corpo dança, seja esse corpo cadeirante, paraplégico, virtuoso, jovem, velho, gordo, magro… a dança é justamente como cada um desses corpos pode se apresentar para o mundo na sua máxima potência. Eu acredito que qualquer pessoa pode dançar quando ela se abre para a experiência de dançar e se desarma, se desfaz de preconceitos e autocríticas que paralisam e bloqueiam a possibilidade de viver certas experiências. Qualquer pessoa pode dançar porque a dança não é uma, existem infinitas maneiras de se dançar. A dança esta onde a gente vê dança. Tem muito a ver com a relação que cada pessoa estabelece com o mundo, seu entorno e consigo próprio – e falando isso não estou isentando a importância de um desenvolvimento técnico expressivo para quem quer se profissionalizar. Estou falando da dança que pode ser uma dança de celebração, ritualística, uma dança a dois, de salão, uma dança social… qualquer dança, são muitas possibilidades. Qualquer pessoa pode dançar quando ela se abre para a experiência.”

Por outro lado, para quem está buscando se profissionalizar, Luciana recomenda ler muito, ter muita curiosidade sobre o mundo que o cerca: política, literatura, poesia, cinema, natureza, filosofia, movimento, tudo que está relacionado com potencias de expressão e comunicação. E afirma: “quanto mais experiente um dançarino fica, mais forte fica a dança, a potência da expressão aumenta – mesmo com a redução do vigor físico.”

Para conhecer e acompanhar o trabalho, siga no Instagram:

@lucianabortoletto_

@avoa.nucleo.artistico