Instante-já: novo solo de Marcus Moreno é inspirada em obra de Clarice Lispector

Estreia acontece em 31 de outubro no Centro de Referência da Dança

O trabalho de criação do espetáculo teve início a partir de uma residência artística realizada nos meses de junho e julho de 2019, juntamente com a artista uruguaia Andrea Arobba, diretora da Cia GEN, que desenvolve pesquisa baseada em treinamentos orientais como Chi Kung e Aikidô e a partir do universo das neurociências e do comportamento evolutivo humano.
Marcus Moreno, artista e gestor cultural, iniciou suas atividades no mundo artes em um grupo de teatro de rua. Graduado no curso de Comunicação das Artes do Corpo, da PUC – SP, transita pela dança, teatro e performance.
“Na faculdade comecei a ter contato com as disciplinas e práticas da dança. Ao mesmo tempo comecei a estagiar na Secretaria Municipal de Cultura, no Núcleo de Fomento à Dança. Cada vez mais comecei a ver muita dança; assistir à espetáculos era parte do meu trabalho. Em 2012, após ter feito alguns experimentos na faculdade, me aproximei da Key Sawao – minha madrinha, tenho muita admiração pelo trabalho dela. Ela me orientou no trabalho “Imagem como ausência” – meu primeiro solo. Inspirado na obra poética do Jackson Pollock, esse projeto foi apoiado pelo Projac Primeiras Obras – para artistas que estavam iniciando na carreira. A Key me orientou neste processo.”
Marcus concilia a carreira de artista com a de Gestor Cultural. Em 2013 assumiu a coordenação de fomento da Secretaria de Cultura da cidade de São Paulo, quando aconteceu a implantação o Centro de Referência da Dança – uma parceria entre a Secretaria de Cultura com a Cooperativa de Dança. “Participei de outros projetos internos, como curadoria, seleção – fui apresentar a Secretaria em outros países. Foi um trabalho muito rico, importante, na Gestão Cultural.”
Enquanto isso, seu trabalho artístico desenvolvia-se em paralelo, com a criação de solos. “Eu brinco, falando que faço solos, mas são sempre solos com 20-30 pessoas envolvidas. Comecei a ter cada vez mais a necessidade de fazer parcerias, como do músico violinista Moisés Mendonza Baião, que tocava e dançava em cena comigo no trabalho ‘Estudo para o Encontro’”.
“Na Flor da Lua” é outro solo que Marcus circulou recentemente, em 2016. Criado na Casa das Caldeiras, onde “havia esse espírito de residência artística, vários artistas circulando pelo mesmo espaço, então acabávamos nos encontrando e isso foi fundamental para esta criação, também alimentada por encontros. Comecei uma ação que eu chamo de ‘Encontros efêmeros’ – e desde então eu tenho feito. Trata-se de convidar artistas para compartilhar de um momento de criação em dança. Nos encontrávamos e trocávamos presentes: eu dava 10minutos de dança e ele também. Depois dançamos juntos mais 10min para ver o que acontece.”
“Encontros Efêmeros” tornou-se parte de um projeto maior, o “Novas Efemeridades”: “convidei 6 artistas para estar junto comigo e além desta criação, da apresentação de uma obra improvisada, estes artistas compartilham também procedimentos de criação – então sempre conduzimos juntos um workshop aberto ao público e, em outro momento, dançamos um pouco de acordo com algo que combinamos antes, mas que vai se desdobrar de acordo com a cena da dança daquele dia.”
Posteriormente se especializou na técnica Klaus Viana – “um trabalho super avançado em pensar o caminho do movimento e, a partir disto, discutir um pensamento de técnica enquanto estudo e criação em dança”
Marcus afirma que este novo conhecimento lhe abriu muitas portas para seguir com seu trabalho artístico, instigando muito a discussão sobre comportamento humano, funcionamento do cérebro, sinapses e todas as condições biológicas e como isso faz parte da evolução humana – isso começou a me atrair muito para pensar a criação, enquanto processo de estudo.
Foi então que encontrou Andrea Arobba. “Ela veio para cá e em junho fizemos uma residência artística juntos, no Centro de Referência da Dança. Fizemos uma imersão de 10 dias – foi muito revelador para mim, havia provocações em cena, questionamentos, e acabamos criando um início de trabalho. Ele retornou para Montevideo e estamos desde então trabalhando à distância nessa obra nova chamada Instante-já, que estreia dia 31/10 – é o que tenho ensaiado no Aqui Ali, no Palacete Teresa

É uma obra que fala sobre o presente, a passagem do tempo, que é um assunto muito evidente no meu trabalho – eu gosto de falar sobre isso, independente do ponto de partida eu sempre falei em minhas obras sobre a efemeridade e isso tem me inquietado muito porque tem a ver com uma questão humana presente no nosso cotidiano e às vezes não nos damos conta disso.”

Sobre o Instante-já

Sabe-se que tudo o que acontece no cérebro se inicia a partir de células conhecidas como neurônios. De um neurônio para outro há, em muitos casos, pequenos vãos, preenchidos por substâncias químicas liberadas a cada disparo de um impulso elétrico. São esses mediadores químicos que indicam as inúmeras trilhas do cérebro para ação e percepção. São eles também que influenciam a produção de imagens provenientes de cada uma das modalidades sensoriais e, portanto, o fluxo delas que estruturam nossos pensamentos.

Como captar o instante presente de um acontecimento? Quais imagens se constroem neste instante? É possível dançar uma imagem antes mesmo de conseguir nomeá-la?

 Estes são alguns disparadores para a criação de uma nova obra coreográfica, que aqui estão integrados à ideia de instante-já, existente na obra Água Viva da escritora Clarice Lispector, e que podem dialogar com noções relativas à percepção, memória e produção de imagens, conceitos presentes no nas ciências cognitivas.

Para além dessa nova criação, tenho me interessado muito por promover encontros e pensar em novas formas de atuação, criações colaborativas e de trabalho em rede. Fiz ao longo do ano algumas edições do que chamo de Encontros Efêmeros, nos quais sempre com um artista convidado damos um workshop para compartilhamento de procedimentos criativos e fazemos a apresentação de uma improvisação inédita.

O curso deste desejo de dançar o instante-já se aprofundou a partir do encontro de Marcus Moreno com a artista uruguaia Andrea Arobba, por meio da imersão em materiais criativos levantados ao longo de uma residência artística realizada no Centro de Referência da Dança (CRDSP).

Este é um trabalho que tem sua origem no encontro: com o tempo, com o espaço, com diferentes corpos, com maneiras distintas de fazer dança. Um solo construído por muitas presenças, em muitos instantes.

O ar é o não lugar onde tudo vai existir (C.L.)

Temporada:

// CRD / Centro de Referência da Dança
31/10, 1 e 2/11
qui sex e sab 19h

// CEU Vila Curuçá
4/11
seg 20h30

// CEU Alvarenga
12/11
ter 10h30

// Sala Paissandu / Centro Cultural Olido
28 a 30/11
qui sex 20h sáb 19h

// Teatro Cacilda Becker
6 e 13/12
sex 21h

 

Ficha Técnica

Concepção e Dança: Marcus Moreno
Colaboração Artística: Andrea Arobba (Artista Residente Convidada)
Criação de Luz e Espaço Cênico: Hernandes de Oliveira
Trilha Sonora Original: Antonio Porto
Pesquisadores convidados do Ciclo Presentificar: Ivan Hegen, Jussara Miller, Paula Petreca, Virgínia Souza e André Cravo
Tradução em Libras Ciclo Presentificar: Fabiano Campos, Elaine Sampaio e Rogério Timoteo
Encontros Efêmeros: Alex Ratton, Cora Laszlo, José Artur Campos, Márcio Greyk, Patrícia Árabe e Rafaela Sahyoun.

Fotos: Silvia Machado
Design Gráfico: Ruth Alvarez
Registro em Vídeo: Nome Filmes
Assessoria de Imprensa: Elaine Calux
Audiodescrição: Daniella Forchetti | Música e Movimento
Assistente de produção e mídias sociais: Juliana Vinagre
Produção Executiva: Cristiane Klein
Direção de Produção e administração do projeto: Dionísio Produção
Classificação Indicativa: 12 anos

Entrada franca

instagram.com/novasefemeridades

fb.me/novasefemeridades

Apoio: Aqui Ali Dança e Cultura, Centro de Referência da Dança, Cooperativa Paulista de Dança, Cantina Piolin, Restaurante Planetas

 

Projeto realizado com apoio do Programa Municipal de Fomento à Dança para a Cidade de São Paulo – Secretaria Municipal de Cultura.

 

Agradecimentos: Thaís Franco, Ângela Nolf, Luciana Bortoletto, Simone Alcântara e demais membros da Comissão de Seleção do Fomento, equipe do Núcleo de Fomentos da SMC, Talita Bretas, Mauricio Flórez, Jorge Garcia, Kéroly Gritti, Marlon Rossiti Florian, Valdir Rivaben, Christina Belluomini e equipe do Núcleo Luz, Semana das Artes do Corpo da PUC-SP, equipe do Aqui Ali Dança e Cultura/Palacete Tereza, equipe do Centro de Referência da Dança (CRDSP), GEN Arte y Ciencia