Trio de Ases: uma homenagem aos grandes mestres do Flamenco

O guitarrista Flavio Rodrigues dedica seu primeiro videoclipe aos artistas Camarón de la Isla, Tomatito & Paco de Lucía

OÉ impossível não se emocionar com o primeiro videoclipe do guitarrista de flamenco Flavio Rodrigues. Inteiramente gravado na sala do Aqui Ali localizada no Palacete Teresa, centro da cidade de São Paulo, a beleza e o preciosismo de detalhes das imagens juntamente com o talento indiscutível de Flávio são um deleite para a audiência, que é transportada diretamente para um tablado espanhol.
Além do talento inconteste de Flavio, o clip conta com a participação especial de dois grandes artistas espanhóis que trouxeram a cultura flamenca para o Brasil: Ana Esmeralda, 93 anos, a grande diva do cinema espanhol das décadas de 50 e 60; o cantaor Mario Vargas, 82 anos, tio de Camarón de la Isla.

 

Veja aqui:

Para conhecer e saber mais sobre os artistas homenageados, confira a seguir.

Camarón de la Isla

(1950 – 1992)

José Monge Cruz, o Camarón de la Isla, ou simplesmente Camarón, foi o cantor mais popular e influente de flamenco espanhol da sua época. Seu legado consiste na apresentação da cultura flamenca às novas gerações.

Seu apelido foi dado por um tio, por ser louro e ter a pele muito branca. Ainda criança, aos 8 anos de idade, começou a cantar em paradas de transportes públicos e à porta de tabernas. Aos 14 anos entrou no filme “El amor brujo” com António Gades e dois anos mais tarde ganhou o primeiro prêmio no “Festival del Cante Jondo” em Mairena de Alcor. Mudou-se para Madrid com Miguel de los Reyes e, em 1968, aos 18 anos, tornou-se artista residente em “Torres Bermejas Tablao”, onde permaneceu por 12 anos e conheceu o Grande Paco de Lucía, com quem iria gravar nove álbuns entre 1969 e 1977. A parceria perdurou até que de Lucía iniciasse sua carreira a solo – então Camarón passou a trabalhar com Tomatito.

O primeiro disco sem Paco de Lucía, “La leyenda del tiempo”, lançado em 1979, é considerado um marco do flamenco, aproximando-o de gêneros como o rock e o jazz. É também a partir desse disco que o cantor abrevia seu nome artístico para somente Camarón.

Aos 42 anos, Camarón morre de câncer de pulmão. Estima-se que mais de 100.000 mil pessoas tenham comparecido no seu funeral

Em 2005 o diretor Jaime Chavárri levou às telas a cinebiografia Camarón, com Óscar Jaeneda no papel principal. O filme foi indicado a diversas categorias do Prêmio Goya, a mais importante premiação do cinema espanhol.

No vídeo, confira Camarón junto com Paco de Lucia

Tomatito Almeria

ES, 1958

Tomatito é o nome artístico de José Fernández Torres, um guitarrista de flamenco espanhol. Tomatito editou vários álbuns a solo e em duo com o cantor Camarón de la Isla. Ganhou o Prêmio Grammy Latino de 2010 na categoria de melhor Álbum de Flamenco por “Sonanta Suite”.

Torres cresceu em uma família musical, que incluía dois tios que tocavam violão: Niño Miguel, guitarrista de flamenco, e Antonio, guitarrista profissional

Tomatito, que tocava em clubes na Andaluzia, tornou-se uma sensação de flamenco quando foi descoberto pelo guitarrista Paco de Lucía. Ele acompanhou o lendário cantor de flamenco Camarón de la Isla por duas décadas.

Com Paco e Camarón, ele gravou quatro álbuns e teve um hit de 1979 chamado “La Leyenda del Tiempo”. O álbum Paris 87 ganhou um Grammy Latino de melhor álbum de flamenco em 2000. A parceria continuou até a morte de Camarón em 1992.

Sua música combina flamenco tradicional com jazz – “emergiram como uma resposta à discriminação, um grito de sofrimento ou a alegria da libertação”, diz. Metade do que ele toca é improvisado, ele disse.  Em alguns álbuns, como “Barrio Negro”, ele experimentou música afro-cubana e brasileira. Ele também trabalhou com os cantores de flamenco Duquende e Potito e o pianista Chano Domínguez, entre outros.

Paco de Lucía

1947 – 2014

Francisco Gustavo Sánchez Gomes foi um guitarrista espanhol de flamenco reconhecido internacionalmente. Fez carreira como compositor, produtor e guitarrista.

Caçula de cinco irmãos, aprendeu a tocar com seu pai, o guitarrista de flamenco Antonio Sánchez. Tem ascendência portuguesa por parte de mãe. Os seus irmãos Pepe de Lucía e Ramón de Algeciras também são músicos de flamenco; Pepe é cantor e Ramón é, também, guitarrista.

As suas principais influências, para além do seu pai, foram os guitarristas de flamenco Nino Ricardo, Miguel Borrull, Mario Escudero e Sabicas.

Na maior parte da Andaluzia, é costume as crianças adotarem o nome da mãe para serem corretamente identificados. Deste modo, o seu nome artístico foi adotado em honra de sua mãe Lúcia Gomes, portuguesa e nascida em Castro Marim.

Em 1958, com apenas onze anos de idade, fez a sua primeira aparição pública na Rádio Algeciras e, no ano seguinte, recebeu um prémio especial numa competição de flamenco em Jerez de la Frontera, acompanhado pelo seu irmão Pepe num duo que se chamava Los chiquitos de Algecira. Logo após, entrou para a trupe de José Greco em 1961. Entre 1968 e 1977, realizou os trabalhos com  Camarón de la Isla

Em 1981, editou o álbum Castro Marín em memória da terra que viu a sua mãe nascer.

Em 1991, gravou o Concierto de Aranjuez, de Joaquin Rodrigo, com a Orquestra de Cadaques. O autor, presente nas gravações, teria dito que nunca ninguém tinha tocado a sua peça com tanta paixão e intensidade como Paco de Lucía.

Em 2004, recebeu o Prêmio Príncipe das Astúrias, como “um músico que transcendeu fronteiras e estilos”.

Faleceu em 25 de fevereiro de 2014 em Cancún, no México, onde passava férias

Em 20 de novembro de 2014, a viúva de Paco recebeu o prêmio póstumo do marido junto aos dois filhos do casal em Las Vegas, nos Estados Unidos, na 15ª edição do Grammy Latino. O prêmio foi de melhor álbum do ano por seu disco “Canción Andaluza”.